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segunda-feira, 3 de março de 2014

A Terra-Média realmente existiu?

Tuor e o elfo Voronwë na costa de Beleriand (O Silmarillion)

A “Terra-Média” realmente existiu?

E eu digo que há mais verdade em algumas delas do que você possa imaginar. Então, quem inventou as histórias? Veja os dragões, por exemplo...
O hobbit Samwise Gamgi, sobre contos infantis, em “O Senhor dos Anéis”.
Pois não seremos nós, mas os que vierem depois, que farão as lendas de nossa época.
Aragorn, idem.

Marcus Pedrosa

Diante do fascínio e da riqueza de detalhes do mundo fantástico da literatura de J.R.R. Tolkien (1892 – 1973), sempre fica a pergunta: elfos, orcs, anões, seus feitos e seus reinos, a Terra Média, enfim, realmente existiram?
A meticulosidade com a qual Tolkien criou sua narrativa em “O Silmarillion”, “O Senhor dos Anéis”, e “O Hobbit” por si mesma já induz o leitor, através da descrição minuciosa de seus povos, sua origem, seus hábitos, sua língua e suas tradições, a entender que tais relatos mais lembram livros de história do que simples ficção literária.
Tamanha densidade e coerência de informações das figuras da mitologia de Tolkien têm uma razão de ser: desde criança, quando vivia no meio rural do interior da Inglaterra, Tolkien teve contato com os costumes e tradições antigas de seu povo, as quais, juntamente com seu conhecimento sobre línguas como o Grego e o Finlandês, dentre outras, e sobre seu processo de transformação ao longo do tempo, adquirido durante seus estudos na Universidade de Oxford, deram-lhe as principais bases para o que seria seu objetivo enquanto escritor, qual seja, construir uma mitologia própria do povo inglês.
Para tanto, Tolkien serviu-se ainda de outras fontes mitológicas, como o poema anglossaxão “Beowulf”, o finlandês “Kalevala”, os “Eddas” nórdicos, as Lendas Arturianas, dentre outras pertencentes a povos que colonizaram a Inglaterra ao longo de sua história, cujos vestígios podem ser reconhecidos mais ou menos claramente na literatura do escritor.
Convém observar que todos estes textos, pelo menos em sua forma anterior não-escrita, são milenares. Consequentemente, questionar sobre a possibilidade de os contos de Tolkien serem ou não reais, é recuar milhares, senão dezenas/centenas de milhares ou mesmo milhões de anos antes do primeiro registro escrito, ou seja, muito além dos 10 mil anos de História convencionalmente aceitos e conhecidos.
Sobre a correlação entre mitos e verdade, o próprio Tolkien observou, em uma de suas cartas (“Cartas de J.R.R. Tolkien”):
“Afinal, creio que lendas e mitos são compostos mormente da ‘verdade’, e de fato apresentam aspectos desta que só podem ser recebidos neste modo; e muito tempo atrás certas verdades e certos modos desta espécie foram descobertos e devem ressurgir sempre.”

A esse respeito, ainda, convém citar o cientista alemão Fritz Kahn, em seu “Livro da Natureza”: Raramente, lendas são invenções; na maior parte das vezes, são verdades idealizadas”.
Em geral, lendas e mitos constituem, inicialmente, parte da tradição oral de um povo, vertidos, posteriormente e algumas vezes, para a forma escrita. No entanto, contraditória e curiosamente, é pela oralidade que perduram, passados de indivíduo a indivíduo através dos séculos, como ocorreu com a “Bíblia”, a “Kalevala”, dentre outros textos tradicionais ou folclóricos.
Por isso, Tolkien ancorou-se na linguagem como ponto de partida de sua narrativa. Ele não apenas queria dar personagens e mundos aos idiomas élficos que ele inicialmente criou como linguista, ele também tinha noção do alcance da oralidade presente nos textos em que se inspirou para compor assim seu próprio texto com um forte lastro de verdade no mundo real.
Com efeito, seu trabalho não pode ser considerado um mundo alienígena ou meramente imaginário. O próprio Tolkien revela o caráter pretérito de sua narrativa em relação ao mundo atual no “Apêndice D” de “O Senhor dos Anéis”, quando explica as particularidades do calendário utilizado no “Condado”: “O ano tinha sem dúvida a mesma duração, já que, por muitos longínquos que sejam aqueles tempos pela contagem dos anos e das vidas dos homens, não eram muito remotos segundo a memória da Terra”.

 Os Argonath O Senhor dos Anéis)


O autor também expressa sua convicção sobre o teor real de sua narrativa no “Apêndice F” da mesma obra, quando comenta as particularidades de suas línguas: “Mas já não falamos de um anão com a mesma frequência com que falamos de um homem, ou mesmo de um ganso, e a memória não foi nítida o suficiente entre os homens para que se preservasse um plural especial para uma raça que foi hoje confinada aos contos folclóricos.”
Admitindo-se o pressuposto de que Tolkien refinou tradições antigas e línguas para reconstituir um mundo situado além da História conhecida, quando exatamente teriam se passado esses fatos?
O próprio autor escreve, no “Apêndice B” da obra já citada, a respeito da “Quarta Era” de sua cronologia: “(...) a Quarta Era teve início com a partida de Mestre Elrond (que era um elfo, junto do qual partiram da Terra Média os demais), quando chegou a época do domínio dos homens e do declínio de todos os outros “povos falantes” (também mencionados como “gente antiga”) na Terra-média.
A Quarta Era, assim, teria sido o período em que a raça humana se consolidou no mundo, e as outras raças que ainda permaneceram na Terra Média foram lentamente se extinguindo. Deste modo, parece existir uma correlação entre a Quarta Era e a “Era Quaternária” ou “Pleistoceno”, conforme a contagem das eras pela ciência da Geologia, o período da Era Cenozoica compreendido entre 1,5 milhões de anos atrás até 10.000 a.C., marcado pelo surgimento do Homo sapiens e do mundo como é atualmente conhecido.
Outra evidência nas obras de Tolkien, mais precisamente “O Senhor dos Anéis” que induz à sincronia da Quarta Era com o Pleistoceno são os “mûmakil”, ou “olifantes”, as enormes criaturas que os homens de “Harad” aliados do maléfico “Sauron” utilizavam como bestas de guerra:
“Grande como uma casa, muito maior que uma casa, pareceu-lhe (a Sam), uma colina móvel revestida de cinza. (...) O Mûmak de Harad era realmente um animal enorme, e como aquele não há mais hoje em dia na Terra Média; seu parente que ainda vive nos últimos tempos é apenas uma lembrança de seu tamanho e majestade. (...) As grandes pernas como árvores, enormes orelhas semelhantes a velas abertas, a longa tromba erguida como uma enorme serpente pronta para atacar, os pequenos olhos vermelhos coléricos. Suas presas levantadas semelhantes a chifres (...).
O mûmak ou olifante seria nada menos do que o mamute, ancestral do elefante que viveu e foi extinto igualmente no Pleistoceno, cujo um exemplar, aliás, foi encontrado recentemente bem preservado em uma das regiões geladas do planeta no extremo norte.
Falando-se em evidências, o que dizer ainda sobre vestígios de outras criaturas, como dragões, trolls, e orcs, ou cidades como “Gondolin”, “Minas Tirith” e “Erebor”?
Quanto aos primeiros, pode-se falar dos diversos fósseis já encontrados e catalogados no meio científico, tanto quanto possível, pois ossos de milhares ou milhões de anos atrás só podem chegar até nossos dias se passarem por um processo de petrificação, o que nem sempre acontece com todos esqueletos de criaturas antigas. Mesmo assim, existem inúmeras amostras catalogadas de esqueletos de imensas criaturas aladas que poderiam ter sido um dragão (em outro artigo, discorro sobre a possibilidade da existência deles); assim como restos humanoides que poderiam ser atribuídos a trolls ou orcs, ao invés de espécies evolutivas ancestrais ligadas à raça humana. Quem pode saber? Como saber de fato que tipo de carne revestia os ossos dessas criaturas em vida, quais eram suas reais feições, e do que eram capazes de fazer?
Da mesma forma que ossos não resistem normalmente à ação do tempo, espadas, machados, elmos e escudos também logo se desfazem uma vez deixados à própria sorte, de modo que jamais alguém poderá dizer com exatidão se as espadas “Andúril” ou “Orcrist” de fato um dia já estiveram nas mãos de guerreiros como “Aragorn” ou “Thorin”, embora guerreiros valorosos com toda certeza empunharam suas armas em dias além da mais remota das batalhas registradas pela História.
No que diz respeito às cidades, deve-se considerar os cataclismos e a limitação do ser humano em seus recursos de exploração arqueológica. Na literatura de Tolkien constantemente fala-se na ocorrência de revoluções na forma do mundo alterando seus contornos, como a submersão dos reinos de “Númenor” (a qual guarda uma certa correlação com a Atlândida “real”) e “Beleriand”, ambos narrados em “O Silmarillion”. Ora, no mundo científico, reconhece-se que o atual mapa mundi nada mais é do que o resultado de vários deslocamentos das massas de terra do planeta ao longo das eras. Também é pacífico que tais eventos alteram não apenas o contorno, mas a superfície da terra, submergindo ou soterrando o que sobre ela existir, tornando-o praticamente irrecuperável, evento este não ignorado pelo próprio Tolkien, conforme se lê no prólogo de “O Senhor dos Anéis”: Aqueles dias, a Terceira Era da Terra Média já se passaram há muito tempo, e o formato de todas as terras foi mudado (...).
Além da hipótese dos cataclismos, cidades que poderiam ter existido a dezenas ou centenas de milhares ou milhões de anos atrás, ainda que tenham resistido a tais forças sísmicas ou simplesmente tendo sido fundadas após as mesmas, não poderiam ser reencontradas facilmente próximas à superfície. A própria ação do clima e do tempo trata de encobrir construções muito antigas, tanto mais profundamente quanto seja sua idade.
É aí onde se encontra a limitação humana nas buscas arqueológicas – atualmente, o ser humano não conta com tecnologia capaz de desenterrar uma cidade que porventura esteja mesmo que algumas dezenas de metros sob a superfície, e ainda que tivesse, haveria ainda a questão da viabilidade econômica, da qual Pompeia, a cidade romana devorada pela erupção de um vulcão no monte Vesúvio, é um exemplo - atualmente, os arqueólogos que exploram ali um sítio estão na iminência de reenterrar o que encontraram devido à falta de investimento financeiro para prosseguir com as escavações.
Com efeito, em que pese provas científicas, ainda falta muito a ser descoberto para que se possa comprovar irrefutavelmente que o mundo de Tolkien um dia foi real, não obstante seus esforços para que sua obra tivesse uma singular verossimilhança. Por outro lado, se acatarmos as palavras do físico Albert Einstein: “Nem tudo o que pode ser contado conta, e nem tudo o que conta pode ser contado”, pode ser que não haja mais o que ser questionado quanto a isso. Ou ainda, se a equação for invertida, sendo que também não há provas suficientes que descartem terminantemente a existência do universo tolkieniano, então é razoável unir lógica e imaginação, o que não é pouco frequente na Ciência, e acatar a veracidade dos contos do Mestre de Oxford.
Christopher Tolkien, um dos filhos do autor, chegou a afirmar em uma entrevista ao jornal francês Le Monde: “Para mim, as cidades do Silmarillion são mais reais do que a Babilônia.”
Quando se olha para os dias da Antiguidade e além, tudo o que se pode fazer é conjecturas sobre o que pode ter sido ou não real. E isso não acontece somente na História, mas também nas ciências exatas, como a Física e Astronomia – os “Postulados de Niels Bohr”, a localização e formas de estrelas Novas, Supernovas e Anãs, a própria teoria do “Big Bang”, por exemplo, são modelos baseados em probabilidades aceitáveis, não verdades enquanto tais, posto que não podem ser provados.
Talvez Tolkien não tenha sido preciso o suficiente nos nomes de personagens, fatos e lugares em sua compilação e reorganização de dados sobre dias além da memória, mas quem poderia fazê-lo de forma mais acurada?
Se houve um passado além do período registrado pela História oficial, o mais próximo que se pode aceitar como “real” é o relato de Tolkien com seu método a partir da oralidade, seja através da língua ou das tradições preservadas pelos povos que habitam a “Terra Média” atual (tal lugar coincide com a Europa, guardadas as alterações geológicas no desenho dos mapas), encerrando a verdade em si em maior ou menor grau, tanto quanto é possível preservá-la através deste método.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Crítica de "O Hobbit: Um amigo para seu filho"

Smaug ataca a Cidade do Lago

Por Cristiane Terezinha Isele*

Escrito por Marcus Pedrosa, O Hobbit: um amigo para seu filho: os contos de fadas na educação das crianças, faz referência ao filme “O Hobbit: uma jornada inesperada”, que conta a história de Bilbo Bolseiro, um hobbit que vive pacificamente em sua toca, com muito conforto, até que numa manhã  recebe a visita do mago Gandalf, que está à procura de alguém para uma aventura, um tanto perigosa e inesperada; porém, valiosíssima, partem para a expedição da qual nenhum deles sabem se retornarão. O plano é roubar o tesouro guardado por Smaug, um dragão temível que vive na Montanha Solitária. Muitos perigos surgem no caminho para dificultar cada vez mais o objetivo dos aventureiros, aranhas gigantes, lobos ferozes e orcs os assombram. Mesmo ao redor de sua imensa riqueza, o Dragão vive sozinho em sua montanha com seu tesouro, protegendo-o, a todos os instantes. Bilbo Bolseiro passa por uma série de perigos e aventuras, algo que, um pequeno hobbit jamais sonhou em vivenciar.

O autor usa como referência o escritor britânico John Ronald Reuel Tolkien, criador da obra “O Senhor dos anéis”, que depois serviu de inspiração para a criação do filme O Hobbit: uma jornada inesperada.

A obra foi editada e publicada pela Editora IFIBE, do Instituto Superior de Filosofia Berthier e é distribuída pela Livraria Saraiva através do seu portal na internet. 

            Marcus Pedrosa pretende alcançar os pais e educadores, mostrando a importância dos contos na infância. Demonstrando que ao lerem e ouvirem estórias, libertam suas emoções, sentem prazer com os tramas, e, muitas vezes o simbolismo dos personagens poderá contribuir na resolução de conflitos internos, normais em determinadas faixas etárias. É nesse sentido que os contos podem ser decisivos para a formação da criança em relação a si mesma ao mundo a sua volta. O maniqueísmo que divide os personagens em bons e más, belos e feios, poderosos ou fracos facilita a compreensão de certos valores básicos da conduta humana. Pelo viés da psicanálise, acreditamos que a criança é levada a se identificar com o herói bom e belo, não devido a sua bondade ou beleza, mas por sentir nele próprio personificação de seus conflitos infantis: o desejo de bondade e beleza e, principalmente sua necessidade de segurança e proteção. Podendo assim superar o medo que inibe a enfrentar os perigos e alcançar gradativamente o equilíbrio. O grande segredo da literatura é trabalhar o imaginário e a fantasia, e assim com certeza cativará o tão exigente público infantil.


*  Mestre em Educação pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Pedagoga com especialização em Psicopedagogia Clinica e Institucional pela Faculdade de Itapiranga (FAI). Professora de Séries Iniciais no Colégio Notre Dame, Passo Fundo, RS.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Hobbit: A Desolação de Tolkien

O encontro com Beorn (livro)


A sequência da adaptação de “O Hobbit” para o cinema continuou cumprindo com maestria seu papel de mostrar a dura jornada dos anões em retorno ao seu lar, Erebor, e assim, a importância de se lutar por um ideal.

Outro objetivo, proposital ou não, que o filme também alcançou inquestionavelmente foi o de despertar no leitor a obrigação de ler a obra original de J.R.R. Tolkien, se ele quiser conhecer de fato a verdadeira história de Bilbo e os anões.

No primeiro filme da trilogia, “Uma jornada inesperada”, eu me posicionei contra a crítica que atacou sem piedade a adaptação. Mas somente agora entendo porque Christopher Tolkien, filho do autor, repudiou com extrema indignação as adaptações de Peter Jackson e Cia., declarando a respeito ao jornal francês “Le Monde”: “As vísceras da obra do meu pai foram arrancadas”.

Mas “O Hobbit” não é a única obra que sofre as dores do parto quando ganha vida no cinema pós-moderno. As possibilidades infinitas trazidas pela computação gráfica e outras tecnologias parecem ter embotado a inteligência dos roteiristas e diretores, os quais habitualmente têm descuidado a atenção da essência das obras. No afã de usar seus “brinquedos”, acabam produzindo conteúdos que não correspondem à realidade do texto original, cometendo assim verdadeiras arbitrariedades que não deixam de indignar fãs e o público no geral.

Tomemos como exemplo o desenho “O Hobbit”, de 1977 (disponível no Youtube). Praticamente não há desvios do roteiro em relação à narrativa de Tolkien. Naturalmente, existem detalhes que poderiam ser melhorados, mas o que conta mais pontos é a fidelidade ao roteiro, o que faz a animação com todas suas limitações técnicas bater de longe os dois filmes de Peter Jackson.

Por outro lado, se algo pode ser dito em favor de “A desolação de Smaug”, é que, mesmo cheio de acréscimos desnecessários e distorções, é um trabalho que não deixa de contribuir para que o legado de Tolkien continue sempre lembrado no mundo do entretenimento. Aliás, acredito que se ainda estivesse vivo, J.R.R.Tolkien, ao invés de enfurecer-se com a deformação do seu texto transmutado para o cinema, veria da mesma forma este lado positivo.

Não listarei todas as disparidades do filme em relação à obra original (seria mais sucinto falar dos acertos), então, seguem as que considero mais importantes (ou piores, se preferirem):

·         O fatídico e casual encontro de Gandalf e Thorin em Bri: tal encontro está registrado na literatura de Tolkien, não exatamente em “O Hobbit”. Gandalf não incita exatamente Thorin a reunir as sete famílias de anões para retomar Erebor, na verdade, os dois tem uma preocupação em comum (Smaug) e definem um plano que desemboca nos acontecimentos narrados em “O Hobbit”.

·         O encontro com Beorn: Se alguém por acaso se virou para jogar o saco de pipoca no lixo certamente não viu o homem-urso. Um dos personagens principais da obra recebeu apenas poucos minutos de aparição, desperdiçados com uma versão inverídica – Beorn nunca foi prisioneiro de Azog (ele já estava morto à época de “O Hobbit”), muito menos seu povo foi exterminado pelos orcs de Dol Gudur. Tomara que no próximo filme Beorn receba o papel que lhe é de direito.

·         Sauron finalmente é revelado por trás da figura do “Necromante”, uma estratégia de roteiro para tornar mais explícito o vínculo de “O Hobbit” com “O Senhor dos Anéis”, assim como a aparição de Legolas, quem não aparece em “O Hobbit”, mas de fato já vivia à época (é um elfo imortal) e morava na Floresta das Trevas, sendo filho do Rei Élfico Thranduil (o qual nunca foi mutilado lutando contra dragões do Norte, pelo menos segundo os relatos de Tolkien. Os únicos elfos que lutaram contra dragões eram da Primeira Era, ver “O Silmarillion”).

·         A breve perda do Anel por Bilbo na Floresta das Trevas nunca aconteceu, assim como seu aprisionamento pelas aranhas gigantes.

·         O affair entre a elfa Tauriel (inexistente na obra de Tolkien) e o anão Kíli: Tolkien relatou alguns casos de amor e união entre raças diferentes, jamais um anão e uma elfa, menos ainda em “O Hobbit”. Vale dizer: O Hobbit é um livro a princípio infantil.

·         Bard: outro personagem mal explorado. Enfatizaram sua boa pontaria, mas ele não é um barqueiro (além da rima, barqueiro e arqueiro não têm nada a ver entre si), e se esqueceram de lhe dar uma caracterização mais profética e melancólica, típicos do personagem. Bard não se opõe ao Senhor da Cidade do Lago como é mostrado, num ambiente de intriga política (como não podia deixar de ser, sempre irrigado com álcool – o “brandy”, e um puxa-saco). O arqueiro é aclamado como líder pelo seu povo em circunstâncias naturais. Provavelmente, os roteiristas quiseram aproveitar para fazer uma crítica aos políticos da vida real.

·         Os anões não entram clandestinos na Cidade do Lago, pelo contrário: quando se declaram como os anões de Erebor que retornam, são aclamados com todas as honrarias.
·         Smaug não se dá conta do Anel que Bilbo carrega, e muito menos este se revela ao dragão em momento algum. A menção do anel pelo dragão foi certamente um artifício para dar aos espectadores a dimensão dos receios de Gandalf, caso ambas as forças (o dragão e o Sauron) se aliassem.

Finalmente, Tolkien detestava manifestamente alegorias, ou seja, dizer uma coisa através de simbolismos, contudo, é difícil não associar o preguiçoso e arrogante Smaug enterrado no imenso tesouro de Erebor ao comportamento daqueles poucos que vivem em verdadeiros e opulentos “salões” com “leitos de ouro”, enquanto a maioria padece na miséria, cujos destinos sofrem drasticamente a interferência de sua ganância deliberada (como o povo de Valle e posteriormente, da Cidade do Lago, por exemplo).
Contra tal “doença”, como é dito no filme, somente a persistência à prova de todos os obstáculos dos anões e a simplicidade de um hobbit quem se apodera por acaso do maior e pior de todos os tesouros, mas consegue mantê-lo seguro e em segredo, usando-o apenas para ajudar seus amigos.

Isso parece bastar para redimir a “desolação” que segunda parte da filmagem de “O Hobbit” fez na obra. Lembrem-se: não diga que conhece a história de “O Hobbit” sem antes ler o livro!

 


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

CONTAGEM REGRESSIVA!

O Hobbit - A Desolação de Smaug

Dia 13/12 nos cinemas

Bilbo contra as aranhas gigantes na Floresta das Trevas