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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Crítica de "O Hobbit: Um amigo para seu filho"

Smaug ataca a Cidade do Lago

Por Cristiane Terezinha Isele*

Escrito por Marcus Pedrosa, O Hobbit: um amigo para seu filho: os contos de fadas na educação das crianças, faz referência ao filme “O Hobbit: uma jornada inesperada”, que conta a história de Bilbo Bolseiro, um hobbit que vive pacificamente em sua toca, com muito conforto, até que numa manhã  recebe a visita do mago Gandalf, que está à procura de alguém para uma aventura, um tanto perigosa e inesperada; porém, valiosíssima, partem para a expedição da qual nenhum deles sabem se retornarão. O plano é roubar o tesouro guardado por Smaug, um dragão temível que vive na Montanha Solitária. Muitos perigos surgem no caminho para dificultar cada vez mais o objetivo dos aventureiros, aranhas gigantes, lobos ferozes e orcs os assombram. Mesmo ao redor de sua imensa riqueza, o Dragão vive sozinho em sua montanha com seu tesouro, protegendo-o, a todos os instantes. Bilbo Bolseiro passa por uma série de perigos e aventuras, algo que, um pequeno hobbit jamais sonhou em vivenciar.

O autor usa como referência o escritor britânico John Ronald Reuel Tolkien, criador da obra “O Senhor dos anéis”, que depois serviu de inspiração para a criação do filme O Hobbit: uma jornada inesperada.

A obra foi editada e publicada pela Editora IFIBE, do Instituto Superior de Filosofia Berthier e é distribuída pela Livraria Saraiva através do seu portal na internet. 

            Marcus Pedrosa pretende alcançar os pais e educadores, mostrando a importância dos contos na infância. Demonstrando que ao lerem e ouvirem estórias, libertam suas emoções, sentem prazer com os tramas, e, muitas vezes o simbolismo dos personagens poderá contribuir na resolução de conflitos internos, normais em determinadas faixas etárias. É nesse sentido que os contos podem ser decisivos para a formação da criança em relação a si mesma ao mundo a sua volta. O maniqueísmo que divide os personagens em bons e más, belos e feios, poderosos ou fracos facilita a compreensão de certos valores básicos da conduta humana. Pelo viés da psicanálise, acreditamos que a criança é levada a se identificar com o herói bom e belo, não devido a sua bondade ou beleza, mas por sentir nele próprio personificação de seus conflitos infantis: o desejo de bondade e beleza e, principalmente sua necessidade de segurança e proteção. Podendo assim superar o medo que inibe a enfrentar os perigos e alcançar gradativamente o equilíbrio. O grande segredo da literatura é trabalhar o imaginário e a fantasia, e assim com certeza cativará o tão exigente público infantil.


*  Mestre em Educação pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Pedagoga com especialização em Psicopedagogia Clinica e Institucional pela Faculdade de Itapiranga (FAI). Professora de Séries Iniciais no Colégio Notre Dame, Passo Fundo, RS.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Hobbit: A Desolação de Tolkien

O encontro com Beorn (livro)


A sequência da adaptação de “O Hobbit” para o cinema continuou cumprindo com maestria seu papel de mostrar a dura jornada dos anões em retorno ao seu lar, Erebor, e assim, a importância de se lutar por um ideal.

Outro objetivo, proposital ou não, que o filme também alcançou inquestionavelmente foi o de despertar no leitor a obrigação de ler a obra original de J.R.R. Tolkien, se ele quiser conhecer de fato a verdadeira história de Bilbo e os anões.

No primeiro filme da trilogia, “Uma jornada inesperada”, eu me posicionei contra a crítica que atacou sem piedade a adaptação. Mas somente agora entendo porque Christopher Tolkien, filho do autor, repudiou com extrema indignação as adaptações de Peter Jackson e Cia., declarando a respeito ao jornal francês “Le Monde”: “As vísceras da obra do meu pai foram arrancadas”.

Mas “O Hobbit” não é a única obra que sofre as dores do parto quando ganha vida no cinema pós-moderno. As possibilidades infinitas trazidas pela computação gráfica e outras tecnologias parecem ter embotado a inteligência dos roteiristas e diretores, os quais habitualmente têm descuidado a atenção da essência das obras. No afã de usar seus “brinquedos”, acabam produzindo conteúdos que não correspondem à realidade do texto original, cometendo assim verdadeiras arbitrariedades que não deixam de indignar fãs e o público no geral.

Tomemos como exemplo o desenho “O Hobbit”, de 1977 (disponível no Youtube). Praticamente não há desvios do roteiro em relação à narrativa de Tolkien. Naturalmente, existem detalhes que poderiam ser melhorados, mas o que conta mais pontos é a fidelidade ao roteiro, o que faz a animação com todas suas limitações técnicas bater de longe os dois filmes de Peter Jackson.

Por outro lado, se algo pode ser dito em favor de “A desolação de Smaug”, é que, mesmo cheio de acréscimos desnecessários e distorções, é um trabalho que não deixa de contribuir para que o legado de Tolkien continue sempre lembrado no mundo do entretenimento. Aliás, acredito que se ainda estivesse vivo, J.R.R.Tolkien, ao invés de enfurecer-se com a deformação do seu texto transmutado para o cinema, veria da mesma forma este lado positivo.

Não listarei todas as disparidades do filme em relação à obra original (seria mais sucinto falar dos acertos), então, seguem as que considero mais importantes (ou piores, se preferirem):

·         O fatídico e casual encontro de Gandalf e Thorin em Bri: tal encontro está registrado na literatura de Tolkien, não exatamente em “O Hobbit”. Gandalf não incita exatamente Thorin a reunir as sete famílias de anões para retomar Erebor, na verdade, os dois tem uma preocupação em comum (Smaug) e definem um plano que desemboca nos acontecimentos narrados em “O Hobbit”.

·         O encontro com Beorn: Se alguém por acaso se virou para jogar o saco de pipoca no lixo certamente não viu o homem-urso. Um dos personagens principais da obra recebeu apenas poucos minutos de aparição, desperdiçados com uma versão inverídica – Beorn nunca foi prisioneiro de Azog (ele já estava morto à época de “O Hobbit”), muito menos seu povo foi exterminado pelos orcs de Dol Gudur. Tomara que no próximo filme Beorn receba o papel que lhe é de direito.

·         Sauron finalmente é revelado por trás da figura do “Necromante”, uma estratégia de roteiro para tornar mais explícito o vínculo de “O Hobbit” com “O Senhor dos Anéis”, assim como a aparição de Legolas, quem não aparece em “O Hobbit”, mas de fato já vivia à época (é um elfo imortal) e morava na Floresta das Trevas, sendo filho do Rei Élfico Thranduil (o qual nunca foi mutilado lutando contra dragões do Norte, pelo menos segundo os relatos de Tolkien. Os únicos elfos que lutaram contra dragões eram da Primeira Era, ver “O Silmarillion”).

·         A breve perda do Anel por Bilbo na Floresta das Trevas nunca aconteceu, assim como seu aprisionamento pelas aranhas gigantes.

·         O affair entre a elfa Tauriel (inexistente na obra de Tolkien) e o anão Kíli: Tolkien relatou alguns casos de amor e união entre raças diferentes, jamais um anão e uma elfa, menos ainda em “O Hobbit”. Vale dizer: O Hobbit é um livro a princípio infantil.

·         Bard: outro personagem mal explorado. Enfatizaram sua boa pontaria, mas ele não é um barqueiro (além da rima, barqueiro e arqueiro não têm nada a ver entre si), e se esqueceram de lhe dar uma caracterização mais profética e melancólica, típicos do personagem. Bard não se opõe ao Senhor da Cidade do Lago como é mostrado, num ambiente de intriga política (como não podia deixar de ser, sempre irrigado com álcool – o “brandy”, e um puxa-saco). O arqueiro é aclamado como líder pelo seu povo em circunstâncias naturais. Provavelmente, os roteiristas quiseram aproveitar para fazer uma crítica aos políticos da vida real.

·         Os anões não entram clandestinos na Cidade do Lago, pelo contrário: quando se declaram como os anões de Erebor que retornam, são aclamados com todas as honrarias.
·         Smaug não se dá conta do Anel que Bilbo carrega, e muito menos este se revela ao dragão em momento algum. A menção do anel pelo dragão foi certamente um artifício para dar aos espectadores a dimensão dos receios de Gandalf, caso ambas as forças (o dragão e o Sauron) se aliassem.

Finalmente, Tolkien detestava manifestamente alegorias, ou seja, dizer uma coisa através de simbolismos, contudo, é difícil não associar o preguiçoso e arrogante Smaug enterrado no imenso tesouro de Erebor ao comportamento daqueles poucos que vivem em verdadeiros e opulentos “salões” com “leitos de ouro”, enquanto a maioria padece na miséria, cujos destinos sofrem drasticamente a interferência de sua ganância deliberada (como o povo de Valle e posteriormente, da Cidade do Lago, por exemplo).
Contra tal “doença”, como é dito no filme, somente a persistência à prova de todos os obstáculos dos anões e a simplicidade de um hobbit quem se apodera por acaso do maior e pior de todos os tesouros, mas consegue mantê-lo seguro e em segredo, usando-o apenas para ajudar seus amigos.

Isso parece bastar para redimir a “desolação” que segunda parte da filmagem de “O Hobbit” fez na obra. Lembrem-se: não diga que conhece a história de “O Hobbit” sem antes ler o livro!

 


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

CONTAGEM REGRESSIVA!

O Hobbit - A Desolação de Smaug

Dia 13/12 nos cinemas

Bilbo contra as aranhas gigantes na Floresta das Trevas

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Afinal, o que é um "hobbit"?



Bilbo de volta à sua toca

Por volta do ano de 1050 da Terceira Era, os Periannath (como eram chamados em élfico) são citados pela primeira vez nos registros da época, quando chegaram a Eriador (a região junto à costa noroeste da Terra-Média). Ignora-se, porém, como surgiram e por que atravessaram sob risco as Montanhas Sombrias e a Grande Floresta ao leste, conforme contam suas histórias mais antigas, embora alguns dentre eles alegassem o crescimento do número de homens ali, ou “Pessoas Grandes”, como eles os chamavam, e o surgimento de uma sombra que caiu sobre a floresta, a qual passou a ser chamada Floresta das Trevas (tal poder era Sauron, na época fazendo-se passar por “O Necromante”, ocupando a fortaleza de Dol Gudur ali para reorganizar seu poder maligno).

O próprio Tolkien fala a respeito da origem desse povo no prólogo de “O Senhor dos Anéis”: “É fato que, apesar de um estranhamento posterior, os hobbits são nossos parentes, muito mais próximos que os elfos, ou mesmo que os anões. (...) A origem dos hobbits se situa nos Dias Antigos, agora perdidos e esquecidos.”

A origem do nome “hobbit”, como eles chamavam a si próprios, jaz igualmente esquecida. Os homens os chamam de “Pequenos”, os elfos, como já citado, “Periannath”. Uma sugestão pode ser encontrada na palavra usada pelos homens de Rohan, a Terra dos Cavaleiros, para nomeá-los, “holbytla”, evidentemente um cognato entre as duas línguas, que quer dizer “construtor de tocas”.

Somente em 1601 eles são citados como fonte histórica, quando os irmãos Cascalvas Marcho e Blanco deixaram Bri (uma remanescente de suas comunidades mais antigas) acompanhados por muitos hobbits para habitar as terras que seriam conhecidas como “Condado”, sob a permissão do rei Argeleb II de Arnor, reino-irmão de Gondor, fundado por Elendil, pai de Isildur (Ver “O Senhor dos Anéis), o qual naquele tempo ainda não havia chegado ao fim. Com a queda de Arnor, os hobbits se apoderaram das terras do rei e nela viveram conforme seu costume.

Ainda no prólogo da obra citada, Tolkien fornece numerosos detalhes sobre o perfil geral de um hobbit: eram pequenos, medindo entre 60 cm e 1,20 metros, tinham dedos longos e hábeis, seus pés tinham solas grossas e eram cobertos por pelos grossos e encaracolados, geralmente de cor castanha, como seus cabelos, razão pela qual raramente usavam sapatos. Seus rostos eram simpáticos, com olhos brilhantes e bochechas vermelhas. Gostavam de brincar, comer e beber, sempre que possível, faziam cinco refeições por dia. Suas roupas eram de cores vivas, preferencialmente o verde e o amarelo. Moravam, em geral, em tocas escavadas e confortavelmente no chão, mas alguns viviam em construções na superfície da terra.

Entre si, os hobbits se diferenciavam em três raças distintas: Os “Pés-peludos”, os quais tinham a pele mais escura, eram menores e mais baixos, e preferiam morar em regiões montanhosas, e tinham afinidade com os anões. Os “Grados” (povo ao qual pertencia Sméagol, ou “Gollum”) eram mais corpulentos, com pés e mãos maiores, preferiam regiões planas e banhadas por rios, e aproximavam-se com mais facilidade dos homens. Finalmente, os “Cascalvas” tinham estatura maior, cabelos e pele mais claros, e gostavam mais de árvores e florestas, e se entendiam melhor com os elfos.

Nunca foram um povo dado a guerras, de modo que nunca houve um assassinato entre hobbits no Condado até a funesta chegada de Saruman após a Guerra do Anel. O único conflito armado anterior no Condado foi a “Batalha dos Campos Verdes”, em 2747, quando Brandobras Tûk expulsou um bando de orcs na Quarta Sul (também conhecido como “Urratouro”, mencionado no filme “O Hobbit”, era parente de Bilbo).

Contudo, nem mesmo sob a enganosa impressão de que o mundo inteiro era tão tranquilo quanto o Condado, os hobbits eram um povo fraco. Pelo contrário, a paz os fez de tal modo fortes, que se fossem obrigados pelas circunstâncias, se tornavam destemidos, ferozes até, e eram capaz de suportar grandes privações. Se necessário, facilmente manejavam armas, e eram exímios arqueiros, assim como em tudo que exigisse boa pontaria, graças aos seus olhos acurados.

À direita: "um povo discreto, agora pouco numeroso"...

Até os dias da partida de Bilbo, os hobbits viveram com paz e satisfação dentro dos limites de suas terras. Mas ignoravam que isso só era possível graças aos “Guardiões”, homens remanescentes do decaído reino de Arnor, quem impediam a aproximação de qualquer mal do Condado. O próprio Tolkien observa sobre este aspecto dos hobbits: “um povo discreto, agora pouco numeroso, amantes da paz e tranquilidade assim como da vida no campo. Nunca gostaram de máquinas mais complexas do um moinho ou um tear manual.”

Além de tudo, o que os torna uma raça especial, dentre outras coisas, é sua habilidade de desaparecer rápida e silenciosamente, principalmente para evitar os homens, o que, segundo Tolkien, atualmente tem sido habitual, devido ao medo. Tal capacidade é mais associada a uma arte do que a uma magia, e poucos seres conseguem fazê-la tão bem quanto eles.

Assim, graças a essa maneira singular de ser, os hobbits passaram a maior parte de sua existência na Terra Média sem serem de fato percebidos. Porém, após Bilbo Bolseiro ter encontrado o Anel no ano de 2942, o Condado não passou mais despercebido pelos outros povos da Terra Média, surpreendendo mesmo os mais sábios dos sábios da época com seus feitos contra Sauron.

Juntamente ao seu tio Bilbo, Frodo Bolseiro, ao levar para destruição o Um Anel de Sauron, garantiu que os hobbits jamais seriam esquecidos, pondo fim à Terceira Era da Terra Média e do império de terror de Sauron.

Linguagem

Não há registros da língua primitiva dos hobbits, anterior à sua chegada a Eriador, ou mesmo a Bri, onde já teriam adotado a língua dos homens que viviam no local. Da mesma forma, em Eriador, começaram a utilizar a Língua Geral, ou Westron, e adotar a forma escrita dos dúnedain, o povo de Arnor .

Contudo, vestígios se sua língua original podem ser verificados em algumas palavras e nomes de locais, que guardam semelhanças com outras encontradas no reino de Rohan e na cidade de Valle, além de nomes próprios.



sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Afinal, quem são os anões?





 Dáin Pé-de-Ferro

Os anões são o povo em destaque em “O Hobbit”. Mas pouco se sabe a respeito deles, salvo que são habilidosos na mineração e no trabalho com metais, teimosos, e que são de baixa estatura, dentre outras características obtidas num primeiro olhar.

Contudo, os anões são uma raça muito mais complexa do que comumente se pensa, tanto em sua origem e costumes, quanto em seus feitos na Terra Média.

J.R.R. Tolkien, no “Apêndice F” de “O Senhor dos Anéis” (WMF Martins Fontes) comenta a respeito: “Os anões são uma raça à parte. O Silmarillion relata sua estranha origem e a razão pela qual são semelhantes aos elfos e aos homens, e, ao mesmo tempo, diferentes deles (...).”

Com efeito, em “O Silmarillion” conta-se que Eru Ilúvatar, o deus único da mitologia de Tolkien, após ter criado Arda, a Terra, tinha em mente povoá-la com seres inteligentes e falantes. Tendo tomado conhecimento dessa intenção, o Vala (um dos poderes angelicais criados por Eru) Aulë, o Ferreiro, resolveu adiantar-se ao seu Senhor, criando seres semelhantes ao que teve conhecimento, mas à sua maneira, fazendo-os fortes, resistentes e obstinados para resistir às investidas de Morgoth (a princípio Melkor, também um Vala, que se rebelou contra Eru e se tornou “O Senhor do Escuro”, a quem Sauron servia e depois deu sequência aos seus intentos malignos), quem há muito tinha deixado as Terras Imortais para atormentar a Terra Média.

Quando Eru descobriu o que Aulë fizera, repreendeu-o por ter se adiantado na tarefa que cabia somente a Ele. Em resposta, Aulë pegou seu grande martelo para destruir os seres que criou, ao que estes, assustados, encolheram-se de medo. Ao ver isso, Eru ordenou que o Vala não o fizesse, pois já era tarde demais, as criaturas já estavam vivas e tinham sensibilidade. Então ordenou a Aulë que as fizesse dormir nas profundezas da terra, até o dia em que lhe fosse concedida a licença para deixá-los caminhar sobre o mundo.

Esta é, pois, a origem dos anões, ou naugrim, como foram chamados desde o princípio, e chamavam a si próprios de khazad. Após elfos e homens colonizarem a terra pela vontade Eru, os anões despertaram de seu longo sono, e se juntaram a eles em seus feitos e lutas contra Morgoth e depois Sauron. 

Logo, os anões não são homens de baixa estatura, ou que nos dias atuais possuem uma mutação genética chamada de Nanismo, nem nascem das pedras ou de um gigante morto, como sugere muitas crenças absurdas dos homens, são uma raça à parte, como os elfos e os hobbits. 

O fato é que os anões eram uma raça que se multiplicava devagar, pois não haviam muitas mulheres anãs, as quais não chegavam a um terço de seu povo, e deste número, menos ainda de um terço se casava e proliferava. As crenças infundadas tiveram mais respaldo ainda no fato de que as anãs só deixavam seus lares em extrema necessidade, e eram tão semelhantes aos anões na voz, na aparência e nas roupas que poucos poderiam distinguí-los uns dos outros.

Mesmo após seu longo sono nas profundezas, os anões despertaram conservando as características com as quais Aulë os fez. O próprio Tolkien faz a descrição da raça no “Apêndice F” de “O Senhor dos Anéis”: “São em geral uma raça resistente e obstinada, reservada, laboriosa, que conserva a lembrança de injúrias (e de benefícios), amante da pedra, das gemas, das coisas que adquirem forma nas mãos dos artesãos mais do que daquelas que vivem por si mesmas. Mas não são maus por natureza, e poucos serviram ao Inimigo de livre vontade, não importa o que possam ter alegado os relatos dos homens. Pois os homens de outrora cobiçavam suas riquezas e as obras de suas mãos, e houve inimizade entre as raças.”

Tal relato explica ainda porque os anões não são uma raça tão “popular”, e porque muitas vezes serem tratados como seres meramente mal-humorados, mesquinhos ou gananciosos. Da mesma forma que os dragões desceram do norte para pilharem seus tesouros (Ver post “Estrelando Smaug, o dragão, e sua espécie”), homens e elfos em algum momento também procuraram obter indevidamente vantagem sobre suas habilidades ou tesouros sempre conseguidos arduamente.

De longe o traço da raça que mais se sobressai é sua habilidade com trabalhos manuais, especialmente envolvendo metais e pedras, preciosos ou não. São obras suas, por exemplo, os portões de Moria e seus majestosos salões, a cota de Mithril que salvou a vida de Frodo, e os novos portões de Minas Tirith, após a Guerra do Anel, dentre inúmeras outras obras.
Nenhuma arma na Terra Média, com excessão de algumas espadas lendárias élficas (como Orcrist e Glamdring, por exemplo) poderia ser comparada aos machados e outras armas dos anões, fato, aliás, que pendeu a favor de sua vitória em Azanulbizar, sua guerra contra os orcs, os quais tinham força superior em número.

Ao que parece, os anões não tinham o hábito de dar nomes próprios às suas armas, mas nem por isso elas deixaram de fazer diferença nos grandes feitos da Terra Média. Um exemplo é a trágica “Batalha das Lágrimas Incontáveis” (ou em élfico Nirnaeth Arnoediad), onde o terrível dragão Glaurung quase teve sua resistente couraça rompida pelos machados dos anões do reino de Belegost, e finalmente, quase foi morto pela faca do rei anão Azaghâl.
Nessa mesma ocasião, ficou evidente outra característica exclusiva dos anões: sua resistência ao fogo e ao calor, pela qual conseguiram resistir às chamas de Glaurung e cercá-lo, segundo é narrado em “O Silmarillion”.

Finalmente, outro traço marcante dos anões é sua longevidade: facilmente ultrapassam dois séculos de idade com vigor. O rei Dáin Pé-de-Ferro (quem aparecerá nas próximas sequências do filme), quando sucumbiu lutando impetuosamente com seu machado em Valle, durante a Guerra do Anel, tinha 252 anos. O próprio Thorin Escudo-de-Carvalho tinha 195 anos quando morreu na Batalha dos Cinco Exércitos.

A linguagem dos anões

Em geral, os anões usavam a língua comum, o Westron, ou a língua dos homens junto dos quais porventura vivessem, uma vez que, após a destruição de seus reinos por dragões ou outras criaturas maléficas, se tornaram um povo errante.

Por isso, seus nomes, como Gimli, Óin, Glóin, etc., eram originários de línguas humanas, enquanto seus nomes verdadeiros, em sua própria língua, jamais revelavam a ninguém de outra raça.

A sua língua de origem, por sua vez, foi aprendida por poucos além de sua raça. Como escrita, utilizavam os Cirth, ou o Alfabeto de Daeron, um elfo menestrel e mestre da tradição do rei Thingol de Doriath, um reino élfico da Primeira Era, quem elaborou uma forma mais rica e ordenada. Eram letras semelhantes às runas nórdicas atuais, e passaram dos elfos para os anões na época da estreita amizade entre as duas raças, quando os reinos Eregion dos elfos e Moria dos anões eram vizinhos na Segunda Era. Mas ocorria também de muitos anões conhecerem os Tengwar de Fëanor, a escrita élfica, embora os Cirth sempre fossem utilizados para registrar sua língua.

Os anões de Erebor, reino de Thorin Escudo-de-Carvalho, introduziram algumas alterações nos Cirth, que passaram a ser conhecidas como “Modo de Erebor”, do qual um exemplo pode ser encontrado no Livro de Mazarbul (o diário que Balin, um dos 12 anões em “O Hobbit”, manteve juntamente com seus seguidores enquanto tentavam recolonizar Moria após a retomada de Erebor, achado tempos depois pela Sociedade do Anel na câmara onde o próprio Balin estava sepultado).

Em outro post anterior, “Como Thorin e os anões salvaram a Terra Média”, discorro sobre o papel imprescindível dos anões na última guerra contra Sauron, e como eles resistiram à sua tentativa de submetê-los e transformá-los em sombra através dos Anéis de Poder.
Enfim, se há alguma coisa que cabe dizer sobre os anões, é que são um povo injustiçado, apesar de seu modo particular de ser, foram inimigos incomparáveis do Inimigo, em sua baixa estatura, foram gigantes contra o mal sem medida que ameaçou devorar todos os povos livres da Terra Média.

Nem mesmo quando Sauron tentou aliciá-los, prometendo-lhes os 3 que restavam dos 7 Anéis de Poder que foram dados aos anões outrora, o que sabidamente era sinônimo de tesouros e poder; assim como a devolução do reino de Moria, a “Maravilha do Mundo do Norte” nunca esquecido pelo coração dos anões, desejando em troca que dissessem onde estava Bilbo e o Um Anel, uma vez que conviveram por um tempo (como narrado em “O Hobbit”) eles não se deixaram levar pela malícia enganosa de Sauron, e por duas vezes Dáin Pé-de-Ferro mandou o mensageiro de Sauron sem resposta à sua “oferta”, conforme foi relatado por Glóin, pai de Gimli, no Conselho de Elrond (“A Sociedade do Anel).