Caros fãs, visitantes e
seguidores, há algum tempo, fiquei devendo um post para explicar a rivalidade
entre anões e elfos, então, aí está. Espero que gostem!
Lúthien usando o Nauglamír com a Silmaril
No filme “Uma jornada
inesperada”, ficou marcante o clima de rivalidade entre anões e elfos,
especialmente da parte do anão Thorin. Já no filme “O Senhor dos Anéis”, o
clima de rixa entre as duas raças ficou evidente entre o anão Gimli (filho de Glóin, que por sua vez
era parente e seguidor de Thorin) e o elfo Legolas,
os quais ao final da demanda do Anel se tornaram amigos.
No filme “O Hobbit”, o
motivo do sentimento dos anões para com o povo élfico teriam tido origem quando
este se recusou a lutar ao seu lado contra o dragão Smaug para resgatar Erebor.
É bem verdade que, se os
elfos ajudassem, pouco teria mudado a situação, provavelmente todos acabariam
mortos por Smaug. Certamente, foi isso que pesou na decisão do Rei élfico, e o
que os anões, em sua obstinação característica, nunca entenderam (segundo o
filme).
Outro fato apontado no filme
que teria dificultado ainda mais o entendimento entre as duas raças, as quais
originalmente sempre foram aliadas, foi a guerra dos anões contra os orcs (Azanulbizar), na qual estes lutaram
absolutamente sozinhos, e venceram com grandes perdas (ver post "Anões contra os orcs", Dezembro de 2012).
A verdade é que as
diferenças entre elfos e anões tem raízes num acontecimento muito mais antigo
do que Bilbo e mesmo Azanulbizar, ocorrido durante a Primeira Era.
Conta-se que, naquele tempo,
Elu
Thingol ,o rei élfico de Doriath, um
belo reino dos elfos na floresta encantada de Beleriand, também conhecido como “As mil cavernas”, certa feita,
recebeu como presente de Húrin Thalion, o
maior dos guerreiros dos Homens naquele tempo, o Nauglamír, o “Colar dos Anões”, uma das joias mais valiosas naquela
época.
O colar havia sido feito por
anões artífices dos reinos de Nogrod e
Belegost, como um presente a Finrod
Felagund, senhor de Nargothrond, outro
dos maiores reinos élficos daquele tempo.
Acontece que Thingol tinha
em seu poder outra joia de valor incalculável, certamente mais cobiçada do que
Nauglamír: uma Silmaril feita por Fëanor, um dos primeiros e maiores reis
élficos da história de Arda, a Terra,
a qual guardava em si o brilho da luz original das Terras Imortais (grande
parte da obra “O Silmarillion”, publicada por Christopher Tolkien a partir do
material deixado por seu pai, J.R.R. Tolkien, gira em torno das três Silmarils
criadas por Fëanor).
Então, Thingol resolveu tornar
as duas magníficas joias uma só, e procurou os anões de Nogrod que mantinham
oficinas em suas terras para realizar o trabalho.
Contudo, ao verem a Silmaril
cintilar diante de si, os anões ficaram imediatamente fascinados e tomados por
um desejo enorme de levá-la junto do Nauglamír para Nogrod, mas mantiveram sua
intenção em ardiloso segredo.
Assim, após terem concluído
o serviço, Thingol foi buscar o Nauglamír com a Silmaril engastada, que para
sua surpresa, lhe foi negado pelos anões.
Thingol logo percebeu o
intento oculto dos anões, e com soberba, os expulsou de seu reino sem
pagamento.
Em resposta, os anões de
Nogrod, movidos pela cobiça e pela ira, mataram-no e fugiram com a joia, porém,
sofreram uma perseguição mortal pelos elfos, de modo que apenas dois dos
mentores do latrocínio conseguiram chegar vivos a Nogrod, onde contaram uma
versão distorcida do ocorrido.
A revolta contaminou os
anões de Nogrod, que decidiram partir em marcha contra os elfos, mesmo contra
os conselhos do reino vizinho e aliado Belegost, que se recusou a tomar parte
do conflito.
Assim, os anões de Nogrod
reuniram um grande exército que marchou furiosamente até Doriath, onde, nas
palavras do próprio Tolkien, “ocorreu um
dos mais lamentáveis dos fatos dolorosos dos Dias Antigos. Pois houve muito
combate nas Mil Cavernas, e muitos elfos e anões foram mortos. E isso não foi esquecido (grifo
meu).”
Os anões devastaram Doriath
e saquearam seus palácios, levando finalmente o Nauglamír.
No entanto, a notícia se
espalhou rápido entre os reinos élficos vizinhos, inclusive onde morava Lúthien, a filha de Thingol, e seu
marido Beren, um valente guerreiro
humano que recuperara uma das três Silmarils roubadas por Morgoth,O Senhor do Escuro, a
qual depois foi dada a Thingol pelo direito de desposar Lúthien.
Beren e seus aliados élficos
interceptaram os anões, cujo número já estava reduzido pelos combates em
Doriath e sobrecarregados pela pilhagem. A maioria foi emboscada e morta, e os
que sobreviveram nunca retornaram a Nogrod.
O próprio Beren matou o rei
de Nogrod e recuperou o Nauglamír com a Silmaril, e os levou para seu reino e
colocou em volta do pescoço de sua bela Lúthien.
“Diz-se,
porém, em prosa e verso, que Lúthien, usando aquele colar com aquela pedra imortal,
era a imagem de maior beleza e glória que já houve fora do reino de Valinor (as
Terras Imortais)”.
O preço de tamanha beleza,
contudo, foi amargo e atravessou as eras na forma de uma separação quase que
completa entre anões e elfos, que nunca entraram em combate aberto novamente,
mas passaram a se detestar mutuamente.
Tudo só seria esquecido
finalmente já na Terceira Era, quando o anão Gimli e o elfo Legolas, integrantes
da Companhia do Anel ao lado de Frodo, como foi dito antes, acabaram se
tornando amigos, e de certa forma, serviram de intermediadores para a
restauração da amizade entre as duas raças.
Fontes:
Capítulo “Da queda de Doriath”, de “O Silmarillion” (Martins Fontes) de
Christopher Tolkien, e “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien.
Muito bom.
ResponderExcluirObrigado pelo post.
Eu quem agradeço, Yohana, se quiser que eu escreva mais sobre alguma coisa de seu interesse, é só dizer.
ExcluirAproveito para convidá-la a visitar a página no facebook: "O hobbit os contos de fadas na educação das crianças".
Tudo de bom.